Existem muitas coisas no nosso dia-a-dia que simplesmente ignoramos, um dos exemplos mais palpáveis para atestar essa afirmação, com certeza, é o fato de não enxergarmos o nosso nariz, ainda que, curiosamente, ele esteja "bem na nossa cara".
Não é uma escolha proposital, nosso cérebro que decide não processar essa informação, por uma questão de economia de energia talvez, de todo modo, conseguimos burlar essa decisão, basta fechar um de seus olhos e, de repente, lá está ele, novamente.
Bom, e, além dos nossos próprios narizes, que outras coisas ignoramos em nosso cotidiano? Extensões de domínio! Diariamente, entramos em sites, aplicações, buscamos informações e elas estão sempre ali, as vemos em todo o lugar, sem enxergá-las, de fato. Acabamos pensando muito pouco sobre elas, talvez você nem sequer saiba o que são, mas a verdade é que, além de muito interessantes, elas mostram um pouco sobre como o mundo digital (como espaço comunitário mesmo) é, também, histórico e complexo.
Certo, depois dessa minha introdução um tanto quanto desconexa, gostaria de revelar uma burrice minha. Para isso, vamos "fechar um de nossos olhos" e enxergar uma bendita extensão de domínio. Olhe para o domínio desse website, ymcavalcante.com.br, você percebe algo engraçado?
Não? Provavelmente porque o "funcionamento" das extensões de domínio ainda não está claro para você. Mais um passo atrás, então.
O Sistema de Nomes de Domínios (DNS), como o conhecemos, surge em 1983 por Paul Mockapetris, criado para resolver um problema claro, a dependência sobre uma tabela única de hosts descrita em um arquivo de texto simples (HOSTS.TXT) que continha os endereços de todos os servidores que utilizavam a, ainda primitiva, Internet, juntamente com seus respectivos nomes. Por consequência dessa invenção e da adoção cada vez maior dessa rede de computadores, temos a expansão do uso de domínios o que culmina na criação do que chamamos de Top-level domains (TLDs), domínios de topo, em 1984, e que dá origem aos 7 (ou 8) principais: .com; .org; .int; .gov; .net; .edu; .mil; .arpa (temporário, apenas para adequação à antiga ARPANET).
Bom, já estamos chegando a algum lugar, se ainda não ficou claro, esses TLDs são uma forma genérica de extensão de domínio (gTLDs), ou seja, servem apenas ao propósito de identificar ou segmentar possíveis nomeações, e todos possuem um significado intrínseco: .com - comercial; .org - organizations; .int - international; .gov - government; .net - networks; .edu - education; .mil - military; .arpa - ARPANET.
Acredito que, agora, a minha ignorância ao registrar o domínio por onde você, provavelmente, está lendo esse texto tenha ficado mais escancarada. É claro que, hoje em dia, o significado fiel das extensões de domínio se perdeu um pouco, principalmente a .com depois da conhecidíssima Dot-com Bubble dos anos 90, mas para alguém que quer falar sobre domínios, redes de computadores, certificados digitais e etc., esse erro é quase anedótico porque, claramente, isto não passa de um blog e não tem nenhum objetivo comercial. O engano foi fruto de um vício ignorante.
Ótimo, agora que tiramos isso do caminho e adicionamos esse meu pecado à lista de coisas que ignoramos diariamente, vamos entender um pouco mais sobre extensões de domínio.
Hoje em dia, existem centenas delas, dos tipos mais variados que se pode imaginar: .sucks, .plumber, .abogado, entre outras. Mas quem as controla? E as de países?
Sobre a primeira pergunta, hoje existem diversas instituições que cooperam e agem sobre a Internet e seus componentes. De modo geral, o controle das extensões de domínio é feito pelo ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), porém, o manejo, de fato, acontece por instituições que conhecemos como Registries, que por sua vez atuam sobre entidades chamadas Registrars, cuja responsabilidade é, basicamente, a venda de domínios sobre esses TLDs alocados às suas respectivas Registries para nós, os clientes finais.
Para exemplificar, o meu domínio foi comprado diretamente com o Registro.br, uma instituição brasileira responsável pelo TLD (mais especificamente ccTLD, country-code Top-Level Domain) .br. Vale mencionar que, além da função principal de Registry, justamente por atuar também na venda direta de domínios, ele funciona como uma Registrar, de forma semelhante à VeriSign e à GoDaddy ao mesmo tempo, por exemplo, com o TLD .com.
Fato é que extensões de domínio são apenas um fragmento pequeno de um tema ainda mais interessante: o funcionamento da Internet e seus componentes principais. Alguns outros mini-temas que com certeza gerariam parágrafos muito interessantes por aqui são: os 13 Root Name Servers, www.symbolics.com, o primeiro domínio registrado, Dotless Domains e as famosas chaves Zone Signing Key (ZSK) e Key Signing Key (KSK) capazes de "reiniciar" a Internet.
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